The Last Of Us Part 2

The Last Of Us Part II recebe ataque de notas negativas

por Fernando Diego Sioli

The Last Of Us Part II finalmente foi lançado depois de vários adiamentos por conta da pandemia causada pela Covid-19. O game chegou às lojas digitais e físicas exclusivamente para o Playstation 4, na sexta-feira, dia 19 de Junho.

A imprensa já veio testando o jogo, que tem foco em sobrevivência, drama e aventura, há alguns meses. E desde suas primeiras reviews ganhou críticas positivas, principalmente pela história intensa e emocional. Porém, a sequência virou alvo da comunidade gamer reacionária que é extremamente homofóbica, misógina e racista.

Com dois dias de lançado, The Last Of Us 2 já recebeu 26 mil críticas através do site Metacritic. Opiniões dos usuários em sua maioria negativas. A média pela crítica especializada é de 95 pontos, porém, a média do público é de 3,4.

The Last Of Us Notas
The Last Of Us Notas (foto: Divulgação)

As maiores reclamações ficam por conta da narrativa e pelo desenvolvimento dos personagens. O que sabemos, sem spoilers, é que a história é extremamente dramática e leva você ter fortes emoções. Como vemos no próprio trailer. "TLoU2 é intenso, cruel, sombrio e vai te drenar emocionalmente como nenhum outro game de sobrevivência.", disse o Tecnoblog em sua review.

Porém, as críticas atacam a história deixando de lado outros quesitos, como jogabilidade, tempo de jogo e gráficos. O foco fica por conta de uma das personagens principais, a Ellie, ser lésbica e se relacionar com outra mulher. Além da inclusão de outros personagens LGBTQIA+.

Veja também: Representatividade importa? O empoderamento dos personagens que representam minorias

O público reacionário tenta se justificar dizendo que "política não deve se misturar com jogos". E muitos comentários falam que o jogo "foi inundado com agenda de guerreiros da justiça social", em inglês possui uma sigla "SJW", que seria um termo pejorativo para pessoas progressistas de esquerda. Outro termo usado como justificativa para as notas baixas é a "misandria". Que seria uma teoria conspiratória, que afirma existir um movimento criado por mulheres para oprimir homens héteros.

Alguns sites, como o Legião dos Heróis possuem prints, como abaixo, onde o termo "SJW" é uma nota para o jogo. Games sem inclusão ou "justiça social" ganham maior pontuação:

The last of us 2
The last of us 2 (foto: Divulgação)

Interessante notar que o discurso de ódio já foi levantado pela comunidade gamer ainda no anúncio, feito pela desenvolvedora Naughty Dog em 2016. O anúncio de que Ellie se relacionaria com outra mulher resultou em ataques aos responsáveis pelo jogo.

Confira ao trailer de The Last Of Us Part II no player abaixo:

Ódio é a palavra que define a história de The Last Of Us Part II. O diretor do jogo, Neil Druckmann, afirmou antes do lançamento: "É uma história sobre ódio. O primeiro jogo era uma história sobre o amor entre os personagens. Agora é o oposto disso." Sendo assim, a narrativa leva o jogador a questionar decisões e posturas. A jornalista do Nerd Bunker Tayná Garcia contou ao jornal Nexo: "Esse sentimento de ódio, que transborda de todos os lados, que transforma o jogo em uma experiência intensa, pesada e autorreflexiva do início ao fim".

Provavelmente, ainda temos que batalhar muito pra mostrar pra algumas pessoas que é o ÓDIO, e o que ele leva a se fazer, que deve ser combatido. E não, se a Ellie vai AMAR uma pessoa, seja mulher, homem ou uma pessoa não-binário. Ou o problema seria ter uma personagem LGBT como a protagonista?

Coluna Fora do Ar, Mário! (ou Fora do Armário se preferir) é escrita por Fernando Diego Sioli, criador de conteúdo LGBT e Preto do Podcast Orgulho Contra-Ataca. Siga nas redes sociais: FerdieSioli e OrgulhoPodcast.

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Divulgação (foto: Divulgação)

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