TESTE

Joaquin Phoenix como Coringa (2019)

4 questões impactantes sobre o filme do Coringa

por Alice Falcão

O filme do Coringa de Todd Phillips causou um grande alvoroço por colocar muitas questões que causaram várias discussões na internet. Segue abaixo algumas delas:  

4 - Justiça x Vingança 

Desde o começo o personagem passa por situações de humilhação, constrangimento e desamparo, Gotham é uma cidade violenta e os tempos não eram favoráveis para uma pessoa com doenças mentais. O personagem carrega uma grande tensão durante o filme com o acúmulo de eventos ruins em sua vida, até chegar o momento que ele percebe que pode descontar e que só assim será visto, ouvido, temido ou até mesmo amado. O cinema hollywoodiano sempre glorificou as jornadas dos que sofrem até a superação disso, uma das mais comuns em filmes de super-heróis e adaptações de quadrinhos é através da violência/poder que os personagem conseguem subverter suas condições não-favoráveis. Assim, foi o que aconteceu com o Arthur, no entanto, há um gosto ruim na boca quando se usa isso para a vingança extremamente violenta sobre os seus opressores. 

3 - A violência é justificável?

Sempre que assistimos filmes com uma grande carga de violência existe o lado que torcemos (o que de forma generalizada, o lado do "bem") e o lado que queremos ver a sua derrota. O filme trabalha bastante a relação opressor x oprimido, o Coringa é um grande oprimido pelo sistema, o personagem passa por dificuldade financeiras e é uma grande excluído por conta da sua condição mental. Externo a ele, há outros personagens com posturas que não dá para defender, quando o protagonista e vilão passa por diversas humilhações. No entanto, qualquer tipo de violência é justificada quando o oprimido se volta (que no caso, seria o Coringa) contra o opressor (qualquer vítima do protagonista)? A violência pode acontecer se for atingida para o lado que você torce contra? 

2 - Sua risada diz muito sobre você

O longa pode ser visto como um grande teste para os seus espectadores. Atualmente, discutimos bastante sobre o humor depreciativo quanto a minorias sociais (como piadas vexatórias para mulheres, negros ou homossexuais). Em Coringa, podemos percebemos em diversos momentos shows de stand-up comedy com piadas machistas de nível que hoje, com certeza seria algo a ser evitado. Isso acaba sendo justificável na realidade do filme, já que se passo nos anos 80, onde não havia o mesmo nível de discussão sobre questões feministas como hoje. Ao lado disso, o filme busca tirar uma graça em momentos puramente violentos e desconfortáveis, como forma de testar o espectador, quase uma pergunta: E aí, vai rir agora ou não? 

Isso pode ser justificado por uma das questões vividas pelo personagem do Coringa. Arthur não rir do que a maioria acha engraçado o que faz ser visto como esquisito. Ele passa por diversas situações onde é chamado atenção por rir de coisas cruéis ou sem sentido. 

1 - Não dá pra defender ninguém 

Coringa é realmente um filme com o toque de Scorsese, a trama não possui mocinhos, apenas um personagem problemático em um sistema doentio (ou vice-versa). O que torna conflituosa a situação dos expectadores sobre ter empatia com um vilão. A denúncia feita pelo protagonista sobre a falta de assistência aos portadores de doenças mentais, assim como a revolta de todo uma população em Gotham sobre a crise do lixo e outros problemas que causam mau-estar geral, faz com que a família Wayne na história não pareça tão boazinha assim. É interessante a perspectiva do egoísmo capitalista dos ricos de não lidarem com os problemas que não os afetam. Thomas Wayne (pai do Batman) aparece diversas vezes como um político que não compreende muito bem a realidade dos menos favorecidos da cidade, e isso bate de frente com o Coringa, que se torna um símbolo revolucionário. No entanto, o vilão não acredita em nada, além do caos.

Confira a seguir o episódio do Podcast O Orgulho Contra-Ataca sobre todas essas e mais questões do filme de Joker de 2019 da DC Comics:

Listen to "#19 - Coringa é um filme perigoso?" on Spreaker.

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